domingo, fevereiro 05, 2006

MUNICH


Ontem fui ver o Munich, o melhor filme de Spilberg nos últimos 3 ou 4 anos, o que não é difícil se tivermos presente a miséria que foi A Guerra dos Mundos.
O argumento é muito bom, e a realização e a fotografia geniais.

O filme centra-se na resposta israelita, pela mão da Mossad, aos atentados perpetrados pelo grupo terrorista Setembro Negro nos Jogos Olímpicos de 1972, realizados na Alemanha Federal.
O australiano Eric Banna (Hulk e Tróia) adopta o papel de Avner, um jovem oficial da Mossad, a quem é pedido que chefie uma equipe que leve a cabo os assassinatos selectivos dos palestinianos responsáveis pelo atentado. Geoffrey Rush (Shine, Les Misérables, Shakespeare in Love) interpreta o agente de ligação da formação israelita, tendo o actor um excelente desempenho, como é aliás habitual.
Sendo o filme baseado em factos reais, é de salientar o cuidado de incluir personagens como a Primeiro-Ministro israelita Golda Meir e o terrorista Mohammed Daoud.

O filme é também, de forma claramente assumida pelo seu realizador, um manifesto político, um “reparo” ao posicionamento externo norte-americano no pós-11 de Setembro.
E é aqui que a película se estraga!
A crítica de Steven Spielberg lembra a feita no filme The Village, de M. Night Shyamalan, mas mais óbvia e, por isso, mais cansativa.
O realizador de Munich diz ser favorável ao “direito de resposta, todavia este deve ser eficaz e incidir apenas sobre os responsáveis, e não sobre inocentes”.
A acção das personagens é constantemente assombrada por dilemas éticos – dizendo ser preciso repensar as formas de combate ao terrorismo, há uma tentativa de colagem entre a figura de Meir e Bush, retrata-se a frivolidade na delineação da política externa dos Estados, fazendo com que a critica implícita no filme estrague, por vezes, o próprio argumento.

Citando David Mariano:
«É uma das maiores acusações dirigidas a Spielberg pela imprensa americana: por um lado, o facto de com o argumento de que o "ódio gera ódio", "Munich" encontrar, de forma simplista, na tragédia dos Jogos Olímpicos de 1972, e na resposta, o acto original que explica o conflito israelo-palestiniano; por outro, que na resposta israelita está, segundo "Munich", aquilo que caracterizariam todas as respostas ao terrorismo e os seus limites morais. Discute-se aí, naturalmente, o jogo da intransigência. Daquilo que compreende uma resposta activa ao terrorismo: entre ficar quieto e com isso recompensar uma acção que custou vida a milhares de pessoas ou o "olho por olho", o reagir e gerar mais ódio, mais guerra, mais violência, numa espiral de ofensivas e contra-ofensivas. Spielberg, assinalam alguns olhares, tentará mostrar que a réplica israelita pode ter sido uma má escolha. E que as formas de lidar com terrorismo terão ser repensadas.» in Público

O filme termina num dos planos mais discutidos do cinema nestes últimos tempos na América: as Torres Gémeas, em Nova Iorque.
Apesar de todos os “se-nãos”, é um filme obrigatório.

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