quinta-feira, julho 27, 2006

Clube de Jornalistas

Esta noite assisti, com asco e revolta, a um programa da 2:. Um espaço televisivo, com ambições intelectualóides, que dá pelo nome de Clube de Jornalistas.
Três jornalistas e um general juntaram-se esta quarta-feira para discutir a actual crise no Médio Oriente – apelidada de “barbárie israelita” –, numa manifestação repugnante de parcialidade e completa ausência de senso, conhecimento do conflito e de noções básicas de Relações Internacionais. Mesmo que não seja grave ter de ouvir estas alarvidades numa televisão de canal aberto (coisa da qual duvido), é certamente grave ter de ouvi-las num canal público – pago em parte por contribuintes, nos quais me incluo.
As loucuras proferidas foram muitas e variadas. Para as enunciar a todas, teria que escrever um post de 10 a 15 páginas do Word. Decidi, portanto, escolher apenas algumas.
Uma das alminhas presentes, um suposto “estudioso das questões dos média”, Rui Pereira, no meio de um dos vários devaneios que eloquentemente proclamou, chama a atenção para o facto de Israel estar a fazer algo de impensável na história da guerra: bombardear civis, de entre os quais, crianças.
Esta afirmação tem vários problemas. Em primeiro lugar, importa salientar que os terroristas do Hezbollah são civis. Em segundo lugar, atribui a Israel uma acção que é da responsabilidade do Hezbollah. É sabido que o Hezbollah se instalou em bairros habitacionais (na sua maioria Xiitas), no meio da população, utilizando infra estruturas residenciais como bases logísticas e operacionais. Logo, se existem mortes civis, é porque o grupo terrorista, apoiado pela Síria e pelo Irão, assim o quer. Por último, esta acção só é impensável para quem, por exemplo, nunca ouviu falar na II Guerra Mundial.
Outra das críticas feitas pelo “painel de iluminados” prende-se com o quadro conceptual utilizado pela comunicação social para descrever o conflito. Diz-se que, sempre que Israel “rapta” alguém, os jornais apelidam essa acção de “prisão”. Na verdade, o problema é o inverso. Recorrentemente se lê na comunicação social sobre os “mortos” israelitas e sobre as “vítimas” palestinianas. Isto já para não falar que Israel realizar "raptos" está francamente longe de uma conceptualização adequada.
Pode pensar-se que este tipo de leitura do problema é inócua e que não merece especial atenção. O drama é que este posicionamento mal-amanhado e esquerdóide face à política internacional passa muito bem para parte significativa da opinião pública.
A juntar ao nojo causado pelo que ouvi, junto a revolta que senti com a altivez com que estes “eruditos” – estes “arautos da moral” – falaram durante quase uma hora, sem o menor sinal de refreio.
O único alivio que tiro desta nefasta experiência é que o programa vai para férias. Temos, pelo menos, 1 mês de descanso...

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