terça-feira, setembro 26, 2006

Portugal vs. Espanha

São muitas as comparações que se podem fazer entre Portugal e Espanha. A maior parte delas têm à partida um resultado determinado.
É fácil dizer que em Portugal a qualificação é baixa e que há muito insucesso escolar. Contudo, uma das primeiras notícias que aqui vi relatava que 1 em cada 3 estudantes espanhóis abandona os estudos antes de chegar à universidade.
Também é frequente afirmar que as histórias tipo Jornal Nacional da TVI só acontecem no nosso jardim à beira-mar plantado. Ontem, na Galiza, uma criança morreu à fome e a sua irmã encontra-se hospitalizada em estado grave de mal nutrição, devido a negligência parental. Há dois dias uma criança foi degolada pelo padrasto, numa das cidades espanholas em Marrocos, como forma de retaliação sobre a mãe da jovem assassinada.
A comparação que vos proponho prende-se com os afazeres do dia-a-dia.

Passe social (transportes públicos):

Em Lisboa, preenchi uma bateria de formulários onde, no total, terei indicado a minha morada, número de BI e nome três vezes.
Em Madrid, preenchi um papel (que nem pode ser considerado formulário, já que só tinha três campos) onde indiquei nome, morada e tipo de passe que desejava. Posso pedir o passe em qualquer quiosque de Madrid, para além das muitas estações de metro que existem na cidade.

Telemóvel:

Em Lisboa, mais uma vez, preenchi uma bateria de formulários. Indiquei número de contribuinte, número de BI e respectiva fotocopia, nome completo e morada.
Em Madrid apenas escolhi o aparelho que queria e o tarifário. Explicaram-me como carregar o cartão. Paguei. Não preenchi ou indiquei dado nenhum.

Televisão:

Aqui não há comparação. A televisão espanhola é incrivelmente pior que a portuguesa. Todavia, existem alguns aspectos que julgo valer a pena mencionar.
Nos programas da manhã, os tele-sopeiras, os conteúdos são tão maus como os que temos nos nossos canais em Portugal. Porém, a esmagadora maioria deles têm uma rubrica diária onde se discutem os problemas políticos e sociais do país, analisados por professores universitários e titulares de cargos públicos. Não só por isto, como é óbvio, mas é notória a consciencialização do grande público para este tipo de assuntos.
Em sinal aberto (sim, porque em casa de estudantes não há cabo!) existem dezenas de canais, muitos deles temáticos, que nos dão acesso a informação, séries e filmes que só podemos ver em Portugal através de serviços pagos.

Estou em Madrid há muito pouco tempo, mas rapidamente percebi que o quotidiano dos nuestros hermanos é bastante mais simples.

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