quarta-feira, setembro 27, 2006

Geografia americana

Estava a ler um guia para angariação de fundos feito pelos organizadores do Harvard World MUN para ajudar os participantes a obterem os fundos necessários para financiar a sua viagem até a China, quando me deparo com esta maravilha:
"Perhaps there are alternative ways to get to China (if you live in South America, a bus or train is a cheap alternative to air travel)..."
Portanto, parece que o Colombo tinha razão: o Novo Mundo que ele descobriu era a "entrada" da China; pelo menos de acordo com os alunos de Harvard.

terça-feira, setembro 26, 2006

Sobre tolerâncias...

José Pacheco Pereira remete, no blog ABRUPTO, para a leitura deste artigo de opinião do washington post a propósito de tolerâncias. Achei genial!
Digam de vossa justiça

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/09/21/AR2006092101513.html

Portugal vs. Espanha

São muitas as comparações que se podem fazer entre Portugal e Espanha. A maior parte delas têm à partida um resultado determinado.
É fácil dizer que em Portugal a qualificação é baixa e que há muito insucesso escolar. Contudo, uma das primeiras notícias que aqui vi relatava que 1 em cada 3 estudantes espanhóis abandona os estudos antes de chegar à universidade.
Também é frequente afirmar que as histórias tipo Jornal Nacional da TVI só acontecem no nosso jardim à beira-mar plantado. Ontem, na Galiza, uma criança morreu à fome e a sua irmã encontra-se hospitalizada em estado grave de mal nutrição, devido a negligência parental. Há dois dias uma criança foi degolada pelo padrasto, numa das cidades espanholas em Marrocos, como forma de retaliação sobre a mãe da jovem assassinada.
A comparação que vos proponho prende-se com os afazeres do dia-a-dia.

Passe social (transportes públicos):

Em Lisboa, preenchi uma bateria de formulários onde, no total, terei indicado a minha morada, número de BI e nome três vezes.
Em Madrid, preenchi um papel (que nem pode ser considerado formulário, já que só tinha três campos) onde indiquei nome, morada e tipo de passe que desejava. Posso pedir o passe em qualquer quiosque de Madrid, para além das muitas estações de metro que existem na cidade.

Telemóvel:

Em Lisboa, mais uma vez, preenchi uma bateria de formulários. Indiquei número de contribuinte, número de BI e respectiva fotocopia, nome completo e morada.
Em Madrid apenas escolhi o aparelho que queria e o tarifário. Explicaram-me como carregar o cartão. Paguei. Não preenchi ou indiquei dado nenhum.

Televisão:

Aqui não há comparação. A televisão espanhola é incrivelmente pior que a portuguesa. Todavia, existem alguns aspectos que julgo valer a pena mencionar.
Nos programas da manhã, os tele-sopeiras, os conteúdos são tão maus como os que temos nos nossos canais em Portugal. Porém, a esmagadora maioria deles têm uma rubrica diária onde se discutem os problemas políticos e sociais do país, analisados por professores universitários e titulares de cargos públicos. Não só por isto, como é óbvio, mas é notória a consciencialização do grande público para este tipo de assuntos.
Em sinal aberto (sim, porque em casa de estudantes não há cabo!) existem dezenas de canais, muitos deles temáticos, que nos dão acesso a informação, séries e filmes que só podemos ver em Portugal através de serviços pagos.

Estou em Madrid há muito pouco tempo, mas rapidamente percebi que o quotidiano dos nuestros hermanos é bastante mais simples.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Hungria instável

Manifestantes prometeram neste domingo manter o movimento para derrubar o primeiro-ministro socialista da Hungria, depois do maior protesto feito até agora. Os socialistas venceram as legislativas de Abril, após uma campanha dominada pelo discurso de que o país vivera no oásis, nos quatro anos anteriores da coligação entre socialistas e liberais (MSZP, SZDSZ).
Parece-me que Ferenc Gyurcsany deve resistir, mesmo após ter admitido que mentiu para ganhar a reeleição e o governo deverá manter as reformas no orçamento que ganharam apoio preliminar da Comissão Européia.
Esta é a crise política mais grave na Hungria democrática e evoca cenas da Revolução de 1956, cujo 50º aniversário se celebra em Outubro. Refira-se que o regime comunista caiu sem protestos de tal dimensão.
Em causa, está a sobrevivência política do primeiro-ministro húngaro, mas de forma mais crucial a do seu programa de austeridade, que prevê mais impostos e cortes na despesa. Serão despedidos funcionários públicos, aumentados preços do gás e electricidade. A oposição contesta, mas se estivesse no poder não poderia fazer outra coisa. Do ponto de vista do Fidesz, a saída de Gyurcsány seria um escândalo que o MSZP pagaria em 2010, nas próximas legislativas. Para os socialistas, se o primeiro-ministro se mantiver no cargo, a sua autoridade estará comprometida, isto no meio de uma crise complexa, e só a 1 de Outubro (altura das eleições locais e regionais) é que se tornará claro até que ponto Gyurcsány foi afectado pelos estragos desta crise.

sábado, setembro 23, 2006

Da produção do programa Prós e Contras entraram em contacto com a Universidade Lusíada a convidar docentes e alunos a estarem presentes no próximo programa, a realizar dia 25 de Setembro, com a presença do ex-Primeiro Ministro de Espanha, José Maria Aznar, do Dr. Ernâni Lopes e do Dr. Dias Loureiro, subordinado ao tema “relações bilaterais”.

Quem quiser assistir tem que estar na Casa do Artista no dia 25, às 21.00h, tendo sempre que confirmar até 2ª feira, à hora do almoço.

Contactos para o fazerem:

Cristina de Meirelles Moita
Direcção dos Serviços Editoriais
de Comunicação e Imagem
Fundação Minerva
Rua da Junqueira, 188-198
1349-001 Lisboa
Tel. 21 361 15 04
Fax. 21 362 29 59
cmm@lis.ulusiada.pt

O tema parece interessante... Gostava muito de vos ver por lá!!

terça-feira, setembro 19, 2006

Afinal o Imperador Bizantino, tinha ou não, a razão?

Ao contrário do Phil do cartoon que se arrepende dos comentários que faz, ao contrário do Miguel Portas que foi (com dinheiro dos contribuintes) filmar a apologia dos terroristas e do radicalismo islâmico. É necessário defender de cabeça erguida os valores democráticos do Ocidente.

É de louvar a existência do islamismo moderado e liberal, que tem menos projecção mediática, mas sim, existe... É de louvar o Partido Conservador britânico que tem como vice chairman uma mulher, liberal, que apoia os valores democráticos e acredite ou não, sim, é muçulmana.

Afinal o choque civilizacional só existe por causa das lavagens cerebrais que manipulam os conteúdos do Alcorão, ou por exemplo, o conteúdo de um discurso dado pelo Papa na Alemanha. O que está errado não é a citação que o papa fez, mas a reacção violenta de pessoas que acreditam em Deus, terrorismo, e são contra os valores democráticos como é a liberdade de expressão.

domingo, setembro 17, 2006

Revolta constante

Aconteceu novamente: um líder ocidental, neste último caso o Papa, cometeu o erro de mencionar o Islão de forma a ser malinterpretado e lá tivemos as cenas do constume: freiras assasinadas, protestos nas ruas, confrontos entre as comunidades, bonecos queimados, etc.
Lá também teve de correr o autor do erro a pedir desculpas apressadamente antes de que a ira do mundo islâmico reclamasse mais vidas inocentes.
Porque é que nós não corremos a protestar quando o maluco do Irão diz que se deve "apagar" Israel do mapa ou quando são lançadas fatwas contra os modos de vida corruptos do Ocidente?
Se nós conseguimos manifestar as nossas discordâncias de forma pacífica porque temos de aceitar os métodos brutais de partes do mundo islâmico como legítimos?

11-M. A investigação

O 11- M continua a fazer parte do quotidiano espanhol.
Percebi que isto não é motivado por paixões ou por traumas, mas sim por uma necessidade de desfecho de um dia envolto em dúvidas e explicações débeis.
Nos últimos dias, os jornais espanhóis têm-se ocupado com inúmeros casos referentes à investigação dos atentados em Atocha, todos eles – se confirmados – determinantes para a compreensão dessa fatídica manhã em Madrid.
Hoje, o El Mundo tem como caixa “Díaz de Mera acusa a Rubalcaba de ocultar un informe sobre ETA y el 11-M”. O antigo Director Geral da Policia Espanhola (DGPE), Agustín Díaz de Mera, veio a público alertar para o desaparecimento de um relatório elaborado pela Unidade Central de Informação (UCI), onde são apresentadas algumas provas e muitos indícios de que a organização terrorista etarra foi parte activa no planeamento e execução dos ataques terroristas de Madrid, oficialmente atribuídos à Al-Qaeda. O Ministro do Interior (homónimo da nossa Administração Interna), Alfredo Pérez Rubalcaba, reagiu dizendo que “se a policia não o tem, se o juiz responsável pelo processo não o tem, então tal relatório não existe”. Face às declarações do Ministro, o antigo DGPE diz “claro que não existe. O tempo verbal é muito importante”, mantendo a sua versão de que tal informe existiu mas que “alguém” o fez desaparecer. Sem nunca apontar o dedo a nenhuma figura ou instituição, Díaz de Mera reitera a sua confiança na policia espanhola, salientando o “profissionalismo” e a “determinação” que a regem. Desta forma, ao dizer que a policia não é responsável pelo desaparecimento e constatando que o juiz não o tem, o relatório só pode ter desaparecido no Ministério do Interior. Este caso reveste-se de contornos ainda mais obscuros, nomeadamente com a alegada acção do Centro Nacional de Intelligencia (serviços de informações espanhóis) na manipulação do local dos atentados e com uma profanação mal autorizada do túmulo do operacional da polícia espanhola morto em Leganés, quando terroristas islâmicos se fizeram explodir num bairro periférico da capital espanhola, poucos dias depois dos atentados.
O caso que agora vos apresento é particularmente sério, na medida em que o cargo de DGPE é muito importante na estrutura de segurança espanhola e porque Díaz de Mera foi uma peça especialmente importante na investigação dos atentados.
Ontem, um antigo dirigente da ETA disse a um jornal espanhol que, nas vésperas das eleições que o PP perdeu para o PSOE, os socialistas o haviam contactado para que encetasse contactos com o grupo terrorista basco em seu nome.
Como se recordarão, a atribuição da autoria dos atentados foi crucial no desfecho do processo eleitoral ocorrido 3 dias depois, favorável ao PP (até ao momento dos atentados), mas que acabou por ser ganho pelo PSOE.
Pude ainda ler que os advogados dos homens de origem árabe, indiciados pelos atentados, vão pedir o adiamento do julgamento, em virtude de não lhes terem sido concedidas as condições mínimas para a defesa dos seus constituintes (por exemplo, a inexistência de tradutores que permitam o diálogo entre defensor e arguido).
Para quem, como eu, se interessa por assuntos relacionados com terrorismo e só agora segue, de forma diária, os desenvolvimentos desta investigação, é fácil deduzir que há pouco interesse em aprofundar o que realmente se passou no dia 11 de Março de 2004. Mas, na verdade, não passa de uma dedução…

Chegada a Madrid

Pois é, caros amigos, já estou em Madrid. Completamente instalado e a conhecer os encantos desta cidade.
Até agora, “todo vá bién”, mas a chegada não foi assim tão fácil...
Apesar de não me ter perdido nas muitas estradas madrileñas (o que contrariou o hábito) e de ter ido direitinho à casa onde passarei os dois próximos anos da minha vida, ao abrir a porta do meu quarto deparei-me com uma ou duas situações que me fizeram desesperar.
De caixotes em riste, entro no quarto e constato que é consideravelmente mais pequeno do que aquilo que tinha na memória. Mas nada que o bom e velho espírito do desenrasca lusitano não resolvesse prontamente. Enquanto arrumava os tarecos tive que ir fazendo a limpeza, já que a alminha que aqui tinha estado antes se esqueceu de apanhar papeis, pó, roupa, etc. Mas enfim, nada que não se fizesse! Agora o drama veio depois. De entre a muita tralha deixada pelo anterior inquilino figurava uma t-shirt do Ché Guevara, mercenário e herói dos ignorantes. Foi a gota de água! Lá o pó, o lixo, a roupa, ter que pisar os meus livros por falta de espaço…isso ainda é tolerável, agora a porra da t-shirt é que já é abuso!!! Forrei as mãos em papel, apanhei o malfadado pano e coloquei-o no devido sítio (leia-se caixote do lixo!). Desde esse momento, tudo corre às mil maravilhas!
Ainda não tenho net em casa, mas farei tudo por tudo para ir postando com assiduidade.
Espero que estejam todos bem!
Abraços e beijinhos!

Diogo Noivo

terça-feira, setembro 12, 2006

Exemplo de populismo


Encontrei ao ler a edição do fim de semana do Financial Times uma frase supreendentemente honesta do político francês do século XIX Alexandre Ledru-Rollin que vale a pena ser partilhada:

"Lá vai o povo. Devo segui-lo pois sou o seu líder"

domingo, setembro 10, 2006

Crise de auto-confiança

Com eleições parciais à porta, o partido Democrata norte-americano encontra-se numa excelente posição para retomar o controlo de ambas as câmaras do Congresso, ou pelo menos é esta a imagem que se obtém fazendo uma análise superficial do evento.

As condições parecem ideais: com uma guerra contra o terrorismo sem fim à vista, que tem provocado o desinteresse da população, o registro ainda fresco do fracasso em Nova Orleães, a incapacidade de aprovar reformas necessárias na segurança social, o problema da imigração ilegal, os vários escândalos do Partido Republicano (o “Plamegate”, escândalos de corrupção, saída do líder Tom DeLay, o caso Abramoff, etc.) e, acima de tudo, a desastrosa situação no Iraque, questão crucial da campanha, parece evidente que os democratas irão conseguir os 6 lugares no Senado e os 15 na Câmara de Representantes necessários para voltarem a deter o controlo do ramo legislativo. Contudo este resultado pode não passar de uma miragem.

Num momento em que os republicanos têm-se exposto a críticas contínuas com cada desaire na política externa e tentam neste momento afastar-se o mais possível de qualquer declaração ou acção do Presidente Bush, os democratas ainda não conseguiram apresentar nenhum plano alternativo convincente de política externa e de segurança e são ainda considerados o partido dos “fracos”.

Ouvindo as declarações de candidatos dos dois lados, consegue-se identificar membros do partido republicano que praticamente admitem que este não merece ganhar as eleições e ao mesmo tempo não se encontra nenhum democrata que contemple, sem sombra de dúvidas, a vitória do seu partido.

Temos, em resumo, uma situação caricata na qual os republicanos caminham determinados para o abismo, confiantes de que algum milagre os salvará no dia das eleições, enquanto que os democratas só têm que “esticar” a mão para retomar as rédeas do poder, mas não têm a mais mínima ideia de como faze-lo.

quinta-feira, setembro 07, 2006

A vergonha da Festa do Avante

Fui hoje supreendido por uma notícia no Diário de Notícias que me causou uma profunda revolta.
A última edição da Festa do Avante contou com a presença, a convite dos comunistas, de representantes das Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia, FARC, grupo terrorista que conduz uma sangrenta guerra civil na Colômbia desde há 35 anos.
Inicialmente inspirada pelos movimentos revolucionários comunistas de outros países, este grupo de assassinos há muitos que perdeu qualquer inclinação ideológica, dependendo do cultivo de droga, o sequestro e a extorção para se financiar, com o único fim de perpetuar a sua actividade criminosa e não para "lutar pela real democracia na Colômbia e por uma justa e equitativa redistribuição da riqueza, dos recursos naturais da Colômbia e da posse e uso da terra" como refere o PCP.
As FARC estão clasificadas como um grupo terrorista pela União Europeia e a presença de membros dessa organização no nosso país não deixa de ser preocupante.
Esta última acção do PCP demonstra que o partido continua a viver num mundo irreal e a promover uma agenda totalitarista mascarada de luta contra a opressão. O seu apoio a grupos terroristas é uma vergonha para o país.

O artigo completo pode ser encontrado aqui

sábado, setembro 02, 2006

As contas do BE

A coluna do economista Daniel Amaral da edição do semanário "Expresso" de hoje consiste num muito interessante exercício de economia que demonstra o absurdo de algumas propostas do Bloco de Esquerda.

O comentador centra-se numa proposta em concreto deste partido: “Redução da semana de trabalho para as 36 horas, sem redução de salário, com a opção de o trabalhador poder fazer quatro dias com nove horas de trabalho, tendo um terceiro dia de descanso”. A proposta baseia-se no falhado modelo francês, que como já se sabe, não resultou.

Pegando na solução apresentada, o comentador demonstra em poucas linhas que da sua aplicação resultaria uma redução de 10% no tempo do trabalho, com a consequente redução na produção económica total. Ao mesmo tempo, como os salários e o número de trabalhadores se mantêm inalterados, a produtividade cai e os custos unitários aumentam, fazendo com que os nossos já elevados custos salariais unitários se elevem ainda mais!

No final, a aplicação da proposta do BE implicaria uma queda tal do PIB que o país só se recuperaria em 10 anos. Esta medida simplesmente rebentaria com as poucas exportações do país.

Vindas de um Doutor em Economia como Francisco Louça, este tipo de ideias são no mínimo surpreendentes, senão perigosas, e evidenciam um claro programa populista, que só engana e confunde as pessoas. Como o próprio economista Daniel Amaral refere nesta coluna: “(...) nada do que [o Bloco] afirma é realista, e muito menos sustentável.”