terça-feira, fevereiro 14, 2006

Notícias

Depois de um prolongadíssimo período de ausência volto à blogosfera, contente por ter acabado mais um período de exames (ou quase, visto que ainda faltam duas orais).
O bom de estar-mos num curso de Relações Internacionais (ou Ciência Política) é que mesmo num período como o dos exames, onde somos impedidos de prestar tanta atenção à realidade que nos rodeia, não podemos deixar de estar minimamente informados sobre esta realidade, sob pena de perder-mos valiosas informações de um dia para o outro.
Nestas condições tenho tentado manter-me informado sobre os três grandes acontecimentos dos últimos tempos na política internacional: o "caso iraniano", a vitória do Hamas e a questão dos cartoons. Qual é o elemento comum (e óbvio) aos três dossiers? O Islão, que parece cada vez mais determinado em absorver todas as atenções no mundo, para grande desgraça de outras regiões do mundo em iguais ou muito piores condições como África, América Latina ou, ainda mais próximo, os Balcãs. Como exemplo sintomático deste fenómeno relembre-mos a Cimeira do G8 de Gleneagles, na Escócia em Julho do ano passado, cujo objectivo era tornar o Continente Africano o "centro das atenções" e que agora é mais prontamente recordada por coincidir com (e possivelemente inspirar) os ataques de Londres.
Já chegamos ao ponto de ontem, numa conferência para o diálogo inter-cultural, o chefe da diplomacia da UE Javier Solana pedir desculpas ao mundo islâmico sem nenhuma razão directa para o fazer. Diálogo e respeito entre culturas sim, renegar a nossa liberdade e modo de vida não!

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Pessoal...


É uma pena que não nos possamos todos identificar com a imagem da semana…
Mas vale pelo incentivo ao trabalho da recta final.

Passei por aqui só mesmo para desabafar, por entre considerações sobre a similitude entre a mudança de AP para PP espanhol e a transição democrática em Espanha.

Preciso de férias….

A Guerra dos Cartoons

No rescaldo do "Prós e Contras" de ontem, parece-me que muito ficou pra discutir, ou pra esclarecer até! E o grande problema nem foi sequer dos oradores, ou da sua qualidade, mas sim da escolha que foi feita para lá ir debater o assunto. Que se poderia esperar de dois cartoonistas, cujo trabalho apenas alcança estas proporções porque o fanatismo islâmico lhas quis conferir?
Que esperar de dois "líderes" religiosos (pelo menos assim lhe chamou a Fátima) que estavam comprometidos, um com o passado e outro com o presente? O problema, que está longe de ser os cartoons, insere-se apenas na esfera da política internacional, e da amplificação fanática que os líderes religiosos islâmicos e os responsáveis políticos lhe têm conferido. São basicamente um pretexto pra justificar, entre outras coisas, a necessidade de o Irão se armar nuclearmente.
Servem, assim, pra incitar as mentes mais frágeis a reagir contra o ocidente, que de uma forma tão profana anda a materializar a figura do profeta.
A questão é que o jornal dinamarquês nunca chegaria ao mundo árabe caso não fosse propositadamente pra lá levado. A questão passa também pela necessidade, que decorreu de setembro a janeiro, de espalhar os cartoons pelo mundo árabe, ou seja, atear um rastilho que já estava regado com gasolina. Se se tivesse tratado de um conjunto de grafitis, provavelmente teria identica reprecurssão, pois alguém se encarregaria, antes de destruir o muro, de lhe tirar umas fotos e leva-las tal qual se fez com o jornal.
Tudo isto passa pela liberdade de expressão. O problema é que o que se entende por liberdade de expressão no ocidente e no mundo árabe são obviamente coisas muito díspares, e com flexibilidades totalmente diferentes. Deste modo, arrisco a dizer que não entendo de que forma foram escolhidos os convidados de ontem, pois na realidade apenas dois estavam aptos a discutir a essência do problema, e naquele ambiente só um se conseguiu exprimir.
Não me vou agora debruçar sobre formas de resover o problema. Não tenho tempo.
Mas acho que deviamos pensar um bocado nisto.

domingo, fevereiro 05, 2006

MUNICH


Ontem fui ver o Munich, o melhor filme de Spilberg nos últimos 3 ou 4 anos, o que não é difícil se tivermos presente a miséria que foi A Guerra dos Mundos.
O argumento é muito bom, e a realização e a fotografia geniais.

O filme centra-se na resposta israelita, pela mão da Mossad, aos atentados perpetrados pelo grupo terrorista Setembro Negro nos Jogos Olímpicos de 1972, realizados na Alemanha Federal.
O australiano Eric Banna (Hulk e Tróia) adopta o papel de Avner, um jovem oficial da Mossad, a quem é pedido que chefie uma equipe que leve a cabo os assassinatos selectivos dos palestinianos responsáveis pelo atentado. Geoffrey Rush (Shine, Les Misérables, Shakespeare in Love) interpreta o agente de ligação da formação israelita, tendo o actor um excelente desempenho, como é aliás habitual.
Sendo o filme baseado em factos reais, é de salientar o cuidado de incluir personagens como a Primeiro-Ministro israelita Golda Meir e o terrorista Mohammed Daoud.

O filme é também, de forma claramente assumida pelo seu realizador, um manifesto político, um “reparo” ao posicionamento externo norte-americano no pós-11 de Setembro.
E é aqui que a película se estraga!
A crítica de Steven Spielberg lembra a feita no filme The Village, de M. Night Shyamalan, mas mais óbvia e, por isso, mais cansativa.
O realizador de Munich diz ser favorável ao “direito de resposta, todavia este deve ser eficaz e incidir apenas sobre os responsáveis, e não sobre inocentes”.
A acção das personagens é constantemente assombrada por dilemas éticos – dizendo ser preciso repensar as formas de combate ao terrorismo, há uma tentativa de colagem entre a figura de Meir e Bush, retrata-se a frivolidade na delineação da política externa dos Estados, fazendo com que a critica implícita no filme estrague, por vezes, o próprio argumento.

Citando David Mariano:
«É uma das maiores acusações dirigidas a Spielberg pela imprensa americana: por um lado, o facto de com o argumento de que o "ódio gera ódio", "Munich" encontrar, de forma simplista, na tragédia dos Jogos Olímpicos de 1972, e na resposta, o acto original que explica o conflito israelo-palestiniano; por outro, que na resposta israelita está, segundo "Munich", aquilo que caracterizariam todas as respostas ao terrorismo e os seus limites morais. Discute-se aí, naturalmente, o jogo da intransigência. Daquilo que compreende uma resposta activa ao terrorismo: entre ficar quieto e com isso recompensar uma acção que custou vida a milhares de pessoas ou o "olho por olho", o reagir e gerar mais ódio, mais guerra, mais violência, numa espiral de ofensivas e contra-ofensivas. Spielberg, assinalam alguns olhares, tentará mostrar que a réplica israelita pode ter sido uma má escolha. E que as formas de lidar com terrorismo terão ser repensadas.» in Público

O filme termina num dos planos mais discutidos do cinema nestes últimos tempos na América: as Torres Gémeas, em Nova Iorque.
Apesar de todos os “se-nãos”, é um filme obrigatório.

sábado, fevereiro 04, 2006

Às Armas!!!


O C.E.P.R.I. tem o prazer de apresentar as armas heráldicas do Centro de Estudos Políticos e de Relações Internacionais. Algo que andava escondido na blogosfera mas que foi descoberto e com significado:

Escudo partido: I, de azul, um globo-mundo de prata cintado e cruzado de ouro; II, contra-esquartelado de azul e de prata, um cavalo escaquístico entrecambado;


Virol: de azul e de prata;


Timbre: um pelicano em sua piedade de prata, ferido de vermelho.


Simbologia: As cores do escudo - azul e prata - remetem para as cores usadas por Portugal desde a fundação da nacionalidade.


No primeiro campo, o globo, simultaneamente símbolo do Mundo e do Poder, alude ao objecto de estudo das Relações Internacionais;
No segundo campo, referente à componente de Ciência Política, o esquartelado alude ao tabuleiro do jogo do xadrez, concretização lúdica da luta pelo poder; ao passo que o cavalo escaquístico representa a capacidade de compreender e abranger a vertente política da vida do Homem em sociedade.

Também disponível no Centro Lusíada de Estudos Genealógicos e Heráldicos estão todas as Armas dos cursos lecionados pela Universidade, bem como de outros centros e núcleos pertencentes à Universidade. Podem ser facilmente consultados os de Ciência Política e de Relações Internacionais entre outros...

Sociedade de Informação


O C.E.P.R.I. apresenta a todos o site Today's Front Page que consiste numa ferramenta que é a verdadeira sociedade de informação. Através do link podemo aceder às primeiras páginas dos jornais do dia em todo mundo, com a facilidade de não termos de entrar no site de cada jornal.

Um instrumento bastante útil que decerto vale a pena adicionar aos favoritos.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

State of the Union 2006


A reportagem pode ser vista através do link

A cerimónia completa em Inglês pode ser vista aqui

O Presidente dos Estados Unidos da América fez ontem o discurso anual sobre o Estado da União. Perante o Congresso norte-americano, George W. Bush deixou bem claro que não pretende uma retirada brusca das tropas do Iraque. Um outro enfoque foi a preocupação em reduzir a dependência do país face ao petróleo proveniente do Médio Oriente. Num discurso de 52 minutos, Bush esboçou as prioridades políticas dos Estados Unidos. Grande parte do tempo foi dedicado aos temas internacionais.

A questão do Iraque

O Presidente dos Estados Unidos sublinhou que não pretende uma retirada brusca das tropas norte-americanas do Iraque. “Estamos nesta batalha para ganhar e estamos no rumo da vitória”, afirmou George W. Bush.
Bush explicou que, à medida em que vão sendo feitos progressos no terreno e que as tropas iraquianas vão tomando maiores responsabilidades, irá ser possível retirar alguns grupos de intervenção. No entanto, disse Bush, essa será uma decisão dos comandos militares e não uma iniciativa de Washington.

A dependência energética

George W. Bush alertou para o problema da dependência energética dos Estados Unidos. O Presidente norte-americano explicou que uma das grandes metas da sua política será a redução de 75 por cento nas importações de petróleo do Médio Oriente até 2025. Segundo Bush, a diminuição da dependência energética vai ser possível através do desenvolvimento das energias alternativas, como o etanol. "O nosso objectivo é tornar o etanol utilizável e competitivo em menos de seis anos", anunciou.

Apelos ao Hamas e recados para o Irão

Bush dedicou parte do seu discurso à questão do Médio Oriente. O Presidente norte-americano apelou ao Hamas que renuncie à violência e que reconheça Israel para permitir a paz na região. Durante o discurso também foram lançados alguns recados ao Irão. "O governo iraniano desafia o mundo com as suas ambições nucleares” denunciou o chefe de Estado, acrescentando que “a América vai continuar a unir o Mundo para fazer frente a esta ameaça".

Espionagem em nome da segurança

Bush sublinhou que o programa de espionagem interno que o seu governo autorizou para controlar presumíveis terroristas "continua a ser essencial para a segurança dos Estados Unidos". "Autorizei um programa de vigilância terrorista para seguir as comunicações internacionais de presumíveis agentes da Al-Qaeda desde e para os Estados Unidos", admitiu o Presidente dos EUA.

Palavras contra o proteccionismo

Bush lançou duras críticas aos que não conseguem encarar o aparecimento de novos concorrentes, como a Índia e a China, afirmando que esta filosofia proteccionista transformará o país numa "economia de segundo plano". “Os proteccionistas vão querer escapar à concorrência, afirmando que poderemos conservar o nosso nível de vida se nos protegermos dentro dos muros da nossa economia”, lamentou Bush, explicando que centralizar o poder em Washington e aumentar os impostos não são soluções.