sábado, fevereiro 02, 2008

O Rei Morreu Viva ao Rei!


O assassinato político é uma forma de retirar opositores do caminho pela via antidemocrática, D. Carlos foi vítima disso. Sendo por excelência Portugal em 1908 uma monarquia constitucional com tendência para o rotativismo entre dois grandes partidos, o regenerador que era uma aproximação aos cartista e o progressista que era uma aproximação aos vintistas. Estes dois partidos lutavam entre si pelo poder, porém quando não se entendiam o Rei tinha de usar o seu poder para dissolver o parlamento. O panorama português era de mudança, pois, havia uma constante construção de caminhos-de-ferro, o telégrafo, liberdade de expressão, desenvolvimento científico oceanográfico, respeito internacional por Portugal.

D. Carlos foi um Rei querido pelo povo morto por uma conspiração da carbonária para chegar ao poder. Pouco tempo antes da morte de El-Rei D. Carlos tinha tido lugar uma revolta com o fim de fazer cair a monarquia, noventa e três conspiradores foram presos. Essa tendência sabia que tinha de liquidar o Rei porque só assim tinha possibilidade de regressar à vida política. Esta conspiração não visa alterar Portugal para melhor, seja lá o que isso for, mas fazer chegar ao poder uma cáfila obscura que nos seus enredos cogitou diabolizar a monarquia assim como a figura do Rei.

Foi com a república que Portugal perdeu a liberdade, a nobreza e a igreja foram perseguidas e foi criada uma polícia de Estado que era conhecida como a formiga branca. Tal nome devesse ao facto dessa formiga entrar ninar tudo por onde entra. Se D. Carlos fosse um feroz opositor da liberdade os republicanos não faziam comícios à porta aberta nem falavam abertamente de matar o rei. Não nos devemos esquecer que Portugal foi o primeiro país da Europa a abolir a pena de morte, por isso usou-se o assassinato para compensação de alguns nichos. A morte do Rei não alterou nada para melhor em Portugal e acabou com a possibilidade de neste país o poder estar assente no parlamento, um parlamentarismo! Aquando da I Grande Guerra Portugal não se ficou de fora, pois, como nenhuma das monarquias da Europa, que eram muitas, não reconheciam o regime como valido visto não ter sido submetido a uma consulta popular, a única maneira de encontrar prestígio foi fazer Portugal entrar na guerra. Tanto era o frio lá por terras da Germânia e tão mal foram preparados os soldados portugueses que se fez uma colecta para comprar plicas para que se pudessem aquecer. A plica é geralmente usada pelos pastores alentejanos sendo que faz parte da cultura regional do país.

O Rei não era um homem conservador mas cosmopolita. Despertava invejas devido à sua erudição e “espírito homem livre”. Porém D. Carlos não era um pedreiro mas um Rei, e como tal queria reinar e governar. Preocupava-se de tal forma com o país que não se coibia de fazer ver aos partidos que se não se entendessem a bem da nação dissolvia o parlamento e agendava novas eleições. Isto num país onde a critica era e é mal recebida não dava resultado. E foi por isso que se entendeu matar o Rei, matar um homem, para que Portugal pudesse ser melhor, pudesse ser grande. Não obstante o regime que defendemos ou o regime que defendem por nós volvido noventa e oito anos da implantação da república o que mudou em Portugal? Continuamos a acharmos grandes, mas a Eslovénia é maior, almejamos ser respeitados mas para tal temos de ter uma política de cocktail. Se isto é ser grande se é para isto que houve uma mudança de regime por meios violentos, de tal modo que a carbonária pagou a membros do povo para ir ao funeral dos regicidas em vez de ir ao do Rei, para mostrar o quanto dele não gostavam. Então realmente tudo em Portugal, cabe a cada um ajuizar se foi para melhor ou pior ou neutro.

A monarquia não é a fonte de todos os males nem a solução para todos eles, é uma forma de identidade. Porém Portugal revê a sua identidade no desporto, perdão, no futebol, pão e circo! Como diziam os romanos. É lamentável um país dito democrático ter manifestantes do Bloco de Esquerda a elogiar assassinos é gritante Portugal colocar no panteão Nacional um homem como Aquilino Ribeiro que se gabou se ter participado no regicídio numa entrevista. O passado em Portugal faz prescrever, tudo afinal em Portugal prescreve tal como prescreveu a nossa consciência colectiva de povo. Eça de Queirós dizia que o que menos gostava em Portugal eram os portugueses. Se ser português é isto é calar e esquecer então já não se é português.

2 comentários:

Rui M. F. Saraiva disse...

Olá Duarte,

De facto, considero o regícidio um dos momentos mais negros e com consequências muito negativas para a História de Portugal.

Hoje Portugal vive uma crise de identidade. No século XXI somos simultaneamente cidadãos europeus e tb cidadãos portugueses. Mas não é a integração europeia a causa da crise identitária. Países como a Grã Bretanha ou a França, ou mesmo a Espanha apesar de fazerem parte do projecto comunitário e apesar de enfrentarem desafios como o da globalização, não é por isso que tem maior dificuladade em se identificarem enquanto nações.

No caso de Portugal, a existência de uma Monarquia Constitucional, serviria como um símbolo de união nacional. De facto, fomos uma monarquia durante 800 anos, a república é ainda jovem e filha, como disseste de assassinos.

Parte da crise de valores e identidade em Portugal, poderia ser resolvida com a re-instituição de uma Monarquia Constitucional em Portugal. No entanto preocupa-me a falta de dinamismo e modernidade daqueles que defendem a monarquia. Cabe aos monárquicos portugueses, deixarem para segundo plano, a discussão sobre os títulos da nobreza, a genealogia e a heráldica. A monarquia tem de defender valores, e ao defendê-los tem de adoptar uma máquina de comunicação do século XXI. Penso que me percebes...

Duarte Serrano disse...

Concordo com a actualização para o século XXI. Mas caro Rui Portugal não é o meu reino. Por isso se não se muda eu não sei o porque...? Porém Portugal não é a Grã-Bretanha nem o inverso, sendo que o mal nao é a UE. O mal são os portugueses.E só!