quarta-feira, dezembro 21, 2005

Esquerda e Direita: Continuidade ou Mudança?

Foi-me suscitada esta problemática por um amigo que, me perguntava qual o meu entendimento sobre a actualidade deste dois conceitos políticos.

A inquirição acerca da sua aplicação actual incide sobre a escolha de dois prismas de análise: histórico/conceptual ou contemporâneo/funcional.

A minha perspectiva aponta para uma análise centrada no segundo prima, no entanto, é necessário expor a origem da divisão posicional face ao espectro político.

A expressão dicotómica, esquerda/direita, surgida na sequência da Revolução francesa e, nasce do posicionamento que a corrente liberal e revolucionária ocupava em relação ao rei, ou seja, encontrava-se posicionada à esquerda do monarca e, por oposição, à direita do rei encontrava-se o clero e a nobreza.

De tal interpretação e conceptualização, é de simples verificação a caducidade dos termos mediante este prisma e, a incapacidade evolutiva que a teoria foi capaz de imprimir à temática. Contudo, e pelo prisma funcional, a divisão política assente nestes conceitos mantém-se, devido à remodelação conceptual operada no século XX por Max Weber e outros, caracterizando-se por deslocar e descolar o conservadorismo como a sua componente primordial e unitária.

Assim, o conceito bifurcado sofreu nova bifurcação, na medida em que, o liberalismo e o conservadorismo deixaram de ser elementos exclusivos de uma abordagem, assistindo-se à metamorfose simultânea dos dois espaços, da qual releva a proliferação de novos partidos à direita e à esquerda, assumindo a forma, vulgarmente denominada por, catch all parties.

3 comentários:

M disse...

Boa noite:

É assustador ver meus alunos a dar esta quantidade imensurável de erros!
Garanto-vos que sinto-me triste e decepcionado por ter de assistir a alunos da Universidade Lusíada a escreverem "prespectiva"...

Lamento.

Passarinho disse...

O apontamento ortográfico que ressalvou é pertinente e correcto, ou seja, daqui envio as minhas sinceras desculpas;

contudo, não posso deixar de observar, com alguma mágoa, o seguinte:

-na primeira aparição que
um professor nosso e da Lusíada têm neste blog a sua intervenção resume-se à critica de aspectos ortográficos esuqecendo-se da análise de ideias, móbil central do blog;

- segundo, quando afirmar encontrar-se "decepcionado e triste" pelos erros, tenho a relembrar que o texto não passou pelo corrector ortográfico - consequências do sedentarismo;

- terceiro, as suas observações, sendo pertinentes, enquadram-se no tipo de posições contra as quais algumas reservas necessitam de ser erguidas, ou seja, o anonimato não me parece correcto, moral ou ético e, o sentido exclusivo do seu comentário é, simplesmente, redutor e pouco elogioso para os "seus" alunos - remeto para os três posts anteriores.

Hugo Marchante.

D.Noivo disse...

Um mal do qual padecemos todos: o sedentarismo – para não lhe chamar “facilitísmo”!
Aqui, também faço o «mea culpa» porque, embora corrija sempre os meus textos, não estou isento de deixar passar algum erro, numa futura ocasião.

Mas, apesar de tudo, acho que o comentário inicial é muito positivo. Já há vários meses que o blog existe e ainda não tínhamos tido a participação de nenhum Professor.
Comente mais! Falamos muitas vezes entre nós sobre a grande mais valia que seria, quer para o blog como para nós, a participação de um Docente da nossa Universidade.

Ah! Professor, diga quem é. Sabemos distanciar bem a esfera da participação num espaço de reflexão e partilha (como é um blog) do domínio das aulas.

Um Abraço!