segunda-feira, novembro 21, 2005

Dia D de MenDes




Na recente revista de economia que sai à segunda como suplemento do Público, "Dia D", lê-se hoje, o seguinte:
"Ex-ministros das Finanças dos givernos liderados pelo PSD criticaram a decisão do partido de votar contra o Orçamento do Estado para 2006. Um revés para o presidente dos sociais democratas." Pois, se foram então questões técnicas que serviram de base ao PSD para votar contra o orçamento para 2006, eu pergunto: Que técnicos consultou o dr. Mendes para ter chegado à conclusão de que seria melhor votar contra? Se eram técnicos então porque razão não preveniram o sr. presidente de que os outros, também eles técnicos e aliás ex-ministros, teriam uma outra posição?
O PSD não tinha que ter votado a favor do orçamento, ninguém lhe pediu que engolisse esse sapo. Podia ter caído na realidade e ter apenas admitido que alguns dos seus deputados votassem a favor, ou pelo menos se abstivessem. Não é que se tivesse manifestado muito importante para a aprovação do orçamento, mas pelo menos dava um ar de alguma democraticidade, coisa de que se quiexam estar o governo em défice. E mostravam, por fim, sentido de Estado.

4 comentários:

D.Noivo disse...

Amigo Rui,

Não me recordo de ter visto algum responsável do PSD a justificar o voto contra com “motivos técnicos”. Na Assembleia da República faz-se, acima de tudo, política.
Quanto ao facto de o PSD poder admitir votos favoráveis ou mesmo abstenções dos seus deputados, temos que ser realistas. Há uma coisa chamada disciplina de voto (que também existe no PS) e, mesmo que não a houvesse, o PSD não podia, politicamente, permitir isso.

Sentido de Estado?! Sugiro consulta das recentes declarações de João Gomes Cravinho e de Diogo Freitas do Amaral…

Vá lá que desta vez o PS não teve de ir a Ponte de Lima comprar um queijo para passar o Orçamento!

Eduardo Pereira Correia disse...

Teve de ir aos Açores...

Filipe G. Zuluaga disse...

A aprovação deste último orçamento foi para mim um exemplo perfeito da política portuguesa. Os partidos da oposição sabiam perfeitamente bem que o PS podia e iria aprovar o Orçamento com ou sem apoio e mesmo assim foram em frente e votaram contra; ou seja, era uma luta “perdida” desde no início, por isso estes partidos podiam argumentar o que quisessem, mas em última instância quem detinha o poder era o partido com a maioria absoluta. Em casos destes onde o resultado final não pode ser alterado, não vejo qual é o objectivo da política dos partidos políticos portugueses na oposição (fossem os actuais ou quaisquer outros) de votarem negativamente as propostas do Governo, sejam elas ou boas; é o que eu chamo a oposição pela oposição: vota-se contra porque sim. Com uma disciplina partidária tão rígida qual é a razão de ser de tantos deputados? Para votar “contra” a tudo, só é preciso um representante de cada partido: o resultado é o mesmo e evita-se forçar os deputados a votar num sentido quando existe a possibilidade de quererem votar noutro.
O despropósito desta atitude acentua-se ainda mais quando pensamos no Orçamento em si: numa altura em que se deve fazer um profundo ajuste nas contas públicas no sentido da contenção, as possíveis soluções são forçosamente escassas e qualquer que fosse o partido no poder teria um trabalho dificílimo em conseguir reduzir o gasto público e acabaria por propor medidas que no fundo seguiriam as orientações tomadas pelo partido no poder. Como é óbvio pode não estar-se a favor das medidas consagradas neste Orçamento, mas também não vejo muitas mais alternativas possíveis face à crise que estamos a passar há muito tempo; por isso me parece ainda mais ridículo o “chumbo” dos partidos da oposição porque nenhum conseguiria apresentar um orçamento milagroso que resolvesse todos os problemas do país. Podiam ter sido apresentadas propostas melhores, mas milagres com certeza que não.

D.Noivo disse...

Julgo que o problema é interpretativo…
Dizes que o voto contra da oposição foi «uma luta “perdida”». É política! Eu percebo que, no domínio do quadro de valores, te seja difícil compreende-lo mas, se de facto não percebes o comportamento da oposição, vais ter muitas dificuldades em interpretar os sistemas político e de partidos nacional. Estes votos contra decorrem de demarcações de posicionamento partidário, de diferentes opções estratégicas que os partidos têm para o país e da “colagem” aos planos do governo que um voto favorável implica.
A disciplina de voto também é resultante do tipo de sistema que temos. Não digo que bem, mas também não digo que mal. Temos que olhar para as coisas como elas são e não como nós gostaríamos que elas fossem!
Um deputado por cada partido?! Bem, isso levantaria problemas de representatividade, não?

Um abraço