segunda-feira, novembro 14, 2005

Vamos a um debate?

A Hegemonia norte-americana é:

- Decadente?

- Estabelecida e crescente?

- Se é decadente quem a ameaça?

- Sendo crescente quer dizer que é legitimada e, aceite como benigna?

Quem quiser contribuir é bem-vindo.

Esta temática insere-se na problemática do Ordenamento do Sistema Internacional.

5 comentários:

mary aldim disse...

Que bom, finalmente alguém põe temas em debate!
Quanto à questão da hegemonia norte americana acho que está a passar um período difícil, mas que no geral todos os Estados estão, por isso, acabará por se manter como hegemonia. Apenas não sei por quanto tempo mais! Este tema, tem muito que se lhe diga, ao qual eu ia propôr ao nosso núcleo, CEPRI, fazer um debate aberto a todos os alunos de RI e CP,(na nossa bela e ampla sala)pois acredito que será interessante ouvir as várias opiniões, enquanto que em formato de "Post", penso que é complicado conseguir falar de tudo o que essa questão envolve! Digamos que acho que é 1 tema com alguns "SE's".

Passarinho disse...

Creio que tens razão quanto à indefenição temporal, no entanto, creio que não deverá ser posta em causa no espaço de duas três décadas mas, remeto as minhas conclusões para um post que se encontra em preparação.

Quanto a um debate amplo não sei se será o melhor, senão repara: quase ngm escreve, ou seja, muito mais dificil será aparecerem para uma tertúlia; segundo, penso que as condições da nossa sala não permitem que mais que meia-dúzia de pessoas participem. Contudo, apoio e estarei presente.

Por enquanto, é por aki.


abraços e, um beijo para ti Mary.lol *)

Filipe G. Zuluaga disse...

Não hesito em dizer que este é um excelente conjunto de perguntas, que realmente suscita o debate. Espero eu que deste debate resultem respostas meditadas e baseadas nos conhecimentos adquiridos nas aulas (e não só!).
Por muito que custe admitir a uma larga camada das sociedades europeias, parece-me evidente que a hegemonia americana não se encontra de maneira nenhuma decadente ou próxima de esse estado. O seu domínio militar, económico, cultural e político mantém-se largamente inalterado e o Governo americano não considera admissível a mais pequena redução da vantagem que detém nessas áreas, por isso quem espera ver os EUA a cair em desgraça no futuro próximo bem pode ir buscando onde se sentar.
Pelo peso tão evidente que tem, parece-me relativamente pacífico admitir que a hegemonia americana está bem estabelecida no Sistema Internacional, quanto mais não seja porque não há mais nenhum actor actual que a possa pôr em causa. Mas, se a hegemonia está crescente já não é um ponto tão líquido, por várias razões: se já é a potência hegemónica, pode ser “mais” hegemónica? Pode ser considerado “aumento” se se torna cada vez mais interventora? Estas e outras questões merecem respostas mais detalhadas noutra altura.
Mesmo não estando decadente, a única possível ameaça visível num futuro longínquo (não menos de 20 anos) é a China. Neste momento é ridículo falar da ameaça chinesa, uma vez que ela ainda não assenta em bases sólidas e sustentáveis para fazer uma “corrida” à hegemonia; contudo, se este país mantém um desenvolvimento constante e parecido ao que hoje tem, é possível que se torne um dia uma potência com atributos suficientes para condicionar de modo significativo a vida internacional.
A bondade ou maldade dum país hegemónico é um problema de percepção pessoal, mas tem, claro está, uma componente de moralidade internacional indiscutível. Estamos num ponto da história em que existe uma nação hegemónica sem “adversário” visível, temos contudo a sorte dela assentar em bases profundamente democráticas o que faz com que a sua actuação na cena internacional se oriente, na maioria dos casos, pelos seus princípios internos, caso contrário (uma hipotética Alemanha nazi hegemónica por exemplo) estaríamos em geral submetidos a regimes opressores e militaristas que estariam tentando derrubar a potência hegemónica expansionista. Temos então que considerar a possibilidade de um dia os EE UU se aperceberem que nada os impede de actuar unicamente seguindo os seus objectivos gananciosos (há evidentemente quem pense que já actuam assim) e de que não há mais ninguém que lhes possa fazer frente; um orgulho desmedido é a única maneira que eu penso que seja possível os EUA perderem o seu estatuto actualmente.

Passarinho disse...

De acordo, no entanto, creio serem necessárias algumas ressalvas:

- primeiro, os EUA são a única potência da história moderna que detêm um domínio unipolar;

- segundo, a posição geográfica dos EUA permite-lhes actuarem de acordo com duas categorias analíticas: isolacionismo e intervencionismo;

- terceiro, decorrendo do segundo ponto, a posição geográfica dos EUa permite-lhes - aliada à sua projecção militar, económica, diplomática e culutral - exercerem um estatuto de "offshore balancing" a nível regionl que impede a emergência de uma coligação contra-hegemónica;

- quarto, se é correcto afirmar que uma hegemonia não se estabelece pelos seus imperativos morais, não deixa de constituir uma verdade empírica que necessita de se consolidar, parecendo-me que a China não conseguirá exercer esse papel, de forma sólida, devido à ausência de marcos institucionais que a projectem a nível sistémica;

- por último, quanto à questão da actuação da condução política, concordo integralmente com a tua exposição e, para a vereficar acho plausível utilizar o método comparativo associado à análise histórica: quem na década de 80 e, mm após a subida de Gorbatchov ao poder, previa e projectava a falência da União Soviética? Nimguém. No entanto, conhecemos o resto da história. A minha teoria, tal como a quase totalidade do meio académico, é que a sua implosão prendeu-se mais com as crises intra e extra União Soviética, devido, não à acção norte-americana mas, à definição, execução e fatalidade dos meios e objectivos políticos.

Tio Quim disse...

O último ponto diz tudo.. Quem em 87 podia prever a queda da União Soviética? E sem violência?!? Não desgraçado do Paul Kennedy, de certeza... com o azar dele.. publicar «Rise and Fall of Great Powers» em 1988... é preciso ter galo!!

Aliás a única previsão que vingou acabou por ser a que só se acerta por sorte.. :) A União Soviética caiu, o Japão estagnou, a Europa teve moeda única.. o Perigo Amarelo parece tão ameaçador como nos anos 60..

Como só se acerta por sorte.. e como todos dizem que se manterá por muitos e bons anos.. eu começo a apostar que será muito mais rápida do que esperam: não só as odds são muito melhores como o simples facto de ninguém o dizer melhora as hipoteses de tal suceder... ou melhorava - devia ter ficado calado, se queria que os EEUU caissem!!... :)

Apenas 3 pontos:
* intervencionismo pode ser encarado como sinal de decadência
* A Rússia não desapareceu, nem as suas ogivas nucleares
* Não é necessário um inimigo exterior - um dia podemos discutir a queda do Império Romano do Ocidente... ou se apenas se mudou... para Paris.. :)